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Alberto Nepomuceno em foco

Alberto Nepomuceno: Modinhas e Canções

10 de agosto - 20:00 

Aspectos da obra instrumental de Alberto Nepomuceno

14 de setembro - 20:00

Alberto Nepomuceno: entre a História e a Ficção

19 de outubro - 20:00

A modernidade em Nepomuceno

16 de novembro - 20:00

Aspectos da tradição em Nepomuceno e a cantoria nordestina

14 de dezembro - 20:00 

III Simpósio de Regência e Interpretação Musical - III SIRIM
Porto Iracema das Artes e Grupo de pesquisa IRIM - UECE/CNPQ

Segunda - 10 de agosto - 20:00 horas

TEMA DA MESA-REDONDA: Alberto Nepomuceno: Modinhas e Canções

A unidade complexa, a modinha em Alberto Nepomuceno

Prof. Dr. Edilson Vicente de Lima (UFOP)

 

Partindo do contexto histórico da Primeira República, tempo em que viveu Alberto Nepomuceno (1864-1920), gostaria de abordar a complexidade sociocultural como uma característica que se reflete, também, na busca de uma “identidade nacional” e, portanto, musical. Assim, o que vemos no compositor em foco, e que reflete a época em que viveu, a Belle Époque tropical, é um “quase” tatear em diversos modelos de composições musicais, influências alemãs e francesas, por exemplo, ao lado da busca incessante de uma música em língua nacional que refletisse a jovem República, ainda atrelada ao modelo desenvolvimentista europeu. E isso, em meu entender, se refletiu em sua música. Nesse sentido, tanto a pesquisa do “folclore” efetuada nessa época, quanto a modinha, presente em nosso cancioneiro já há um século e bastante enaltecida como uma das matrizes formadoras de “nossa” identidade musical, será encarada como “uma” das vertentes dentro da complexidade musical de Alberto Nepomuceno: sua unidade complexa. Portanto, a palavra modinha, mas do que uma forma ou estilo específicos –  até porque passa por transformações histórico-estilística ao longo de sua absorção pelos vários sujeitos sociais que compõem a “complexa” sociedade da época e que se expressam às vezes de modo informal, ou na música de salão efetuada para cantores com formação em canto lírico–  também era utilizada como um substituto para o vocábulo canção. Assim, mais do que enxergar nas “canções” de Alberto Nepomuceno a modinha como uma linha condutora estilística que perpassa toda sua produção, a encaramos que um “fio” dentro de uma trama múltipla: uma “unidade complexa”.

Alberto Nepomuceno e a canção brasileira

Profa. Anna Maria Kieffer (pesquisadora e cantora)

 

“Um compositor de grande mérito, merecidamente entre os mais celebrados, foi Alberto Nepomuceno (que) nasceu na plácida terra do Ceará a 6 de julho de 1864.

[...]

 

Sua obra como compositor­ – que nos faz reviver as cantigas populares da vida nacional – tem início justamente na sua pátria, e nos é revelada, sob graciosas formas de lindíssimas canções, algumas das quais, embelezadas por eficazes formas, se elevam nas asas desse gênero de arte.”

 

CERNICHIARO, Vincenzo. Storia della Musica nel Brasile, dai tempi coloniali sino ai nostri Giorni. Milano: Stab Tip. Edit. Fratelli Riccioni, 1926.

 

Um olhar estrangeiro sobre as canções de Alberto Nepomuceno. Cantigas tradicionais coletadas por Alberto Nepomuceno no Ceará, Pará e região fluminense. Canções compostas por Nepomuceno em Paris, com textos em francês, alemão e português. Compositores que escreveram canções com texto em português antes de Nepomuceno: José Amat, sobre textos de Gonçalves Dias, Rafael Coelho Machado, sobre textos de Gonçalves de Magalhães e os que compõem o Álbum de Armia, com textos de Albano Cordeiro. Nepomuceno e a militância da canção em língua nacional. A brasilidade nas canções de Alberto Nepomuceno. O legado de Nepomuceno: Luciano Gallet, Lorenzo Fernandes e Heitor Villa Lobos.

Mediação

Agraciado com a renomada bolsa Fulbright do governo norte-americano, Marcio Landi alcançou o título de Doctor of Musical Arts in Orchestral Conducting pela University of Missouri-Kansas City (CAPES/FULBRIGHT, 2009-2013), possui mestrado em Música pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e graduação em Bacharelado em Música com Habilitação em Composição e Regência pela mesma instituição. Atuou como Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho (1998-2009), atualmente é professor Associado da Universidade Estadual do Ceará, diretor do Laboratório Banda Sinfônica – LBS, coordenador do grupo de pesquisa Investigação em Regência e Interpretação Musical – IRIM, editor na Coleção IRIM, presidente do Simpósio de Regência e Interpretação Musical – SIRIM, e Coordenador e Regente Titular da Banda Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará.

Convidada

Profa. Anna Maria Kieffer (pesquisadora e cantora) dedica-se à pesquisa e à divulgação da música antiga, da memória musical do Brasil e da música vocal contemporânea, tendo participado como cantora, curadora e criadora de festivais no Brasil, Américas e Europa. É autora de trilhas sonoras para cinema, exposições e espaços museológicos, bem como de roteiros para obras interdisciplinares de sua concepção. Exerce atividade docente e tem seus textos publicados em revistas e livros especializados.  Está associada ao Studio de Recherches et de Sructurations Électroniques - Auditives, em Bruxelas, e é membro da EMF – Electronic Music Foundation, em Albany, Nova York. Tem 25 CDs, CDs-livros e DVDs gravados no Brasil e exterior.

Convidado

Prof. Dr. Edilson Vicente de Lima (UFOP) é professor Adjunto da Universidade Federal de Ouro Preto, onde ocupa a cadeira de Musicologia. Doutor em Musicologia pela Universidade de São Paulo – USP; Mestre em Música e Bacharel em Composição e Regência pela Universidade Estadual Paulista – UNESP. Colaborou com partituras para a gravação de vários CDs com obras de André da Silva Gomes. Dirigiu e produziu o CDs Modinhas de amor (Paulus, 2004) e Lundu de Marruá (Paulus, 2008). Participou das publicações: A arte aplicada de contraponto de André da Silva Gomes (Arte e Ciência, 1998), Música Sacra Paulista (Arte e Ciência, 1999) e Música no Brasil colonial – Vol. III (EDUSP/ MIOP, 2004). Publicou o livro As Modinhas do Brasil (EDUSP, 2001). É coautor dos livros Música do Brasil Colonial – VOL. IV (EDUSP/MIOP, 2015) e Revolução dos Cravos e os trânsitos coloniais (Ed. Kafka, 2016). Foi professor convidado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), onde ministrou as disciplinas de Prosódia Musical, Contraponto e Harmonia. Foi professor de História da Música e História da Música Brasileira e coordenador do Núcleo de Música da Universidade Cruzeiro do Sul (2002-2008). 

Participação

Mona Gadelha é cantora, compositora e jornalista. Coordenadora do Laboratório de Música do Porto Iracema das Artes. Participou do disco “Massafeira” com sua música “Cor de Sonho” (lançado em 1980 e relançado em 2010/CBS-Sony, com livro e um ensaio assinado por ela, entre outros autores). Lançou sete discos (Mona Gadelha, 1996; Cenas & Dramas, 2000; Tudo se Move, 2004; Salve a Beleza, 2010; Praia Lírica, um tributo à canção cearense dos anos 70, 2011; e Cidade Blues Rock nas Ruas, 2013 – este também em CD ao vivo e DVD, 2014). Realizou inúmeros shows pelo Brasil, especialmente em São Paulo, onde residiu por 28 anos. Tem músicas gravadas por Ednardo (Acreditar, parceria com Francisco Casaverde), Eliana Printes (Crepúsculo de uma Deusa), Amanda Acosta, Karla Karenina e Lívia França (Cor de Sonho) e Anna Torres (Pessoas, parceria com Flávio Paiva). Fez parcerias com Fernando Moura, Alexandre Fontanetti, Moisés Santana, Ricardo Augusto, Edmundo Vitoriano, além dos já citados. Integrou a comissão de seleção de vários festivais (Festival da Juventude de Fortaleza, Noia, Festival da UFC, entre outros).

 
 

III Simpósio de Regência e Interpretação Musical - III SIRIM
Porto Iracema das Artes e Grupo de pesquisa IRIM - UECE/CNPQ

Segunda - 14 de setembro - 20:00 horas

TEMA DA MESA-REDONDA: Aspectos da obra instrumental de Alberto Nepomuceno

Musica Brasilis e Alberto Nepomuceno
Rosana Lanzelotte

Criado em 2009, o portal Musica Brasilis tem como objetivo tornar disponíveis os repertórios brasileiros de todos os tempos e gêneros. Com 40.000 acessos mensais e cerca de 1500 partituras de 300 compositores, o portal se estabeleceu como referência.

Um dos principais conjuntos de partituras refere-se às obras de Alberto Nepomuceno. A coleção foi iniciada a partir da transferência, em 2012, das edições Goldberg para o Instituto Musica Brasilis. A partir daí, novas obras vem sendo editadas e atualmente estão disponíveis as partituras de 46 obras, todas com partes separadas para instrumentos, entre elas a integral das 28 peças para piano, 3 quartetos de cordas, o trio para piano, violino, violoncelo, 2 obras para orquestra de câmara, 5 canções em versão para orquestra, e a versão para canto e piano de Le Miracle de la semence. Pretende-se alcançar a obra integral, incluindo a ópera Abul, até hoje nunca editada.

O contato frequente com Sérgio Nepomuceno Alvim Correa (1931 - 2018), neto do compositor e grande pesquisador, foi essencial para possibilitar o acesso às fontes e estabelecer o contato com a rede de pesquisadores que se debruçaram sobre a obra e Nepomuceno.  

Com a anuência do autor, o catálogo elaborado por Correa e publicado pela FUNARTE em 1996, foi transposto para a web, com correções e acréscimos (https://musicabrasilis.org.br/catalogo-alberto-nepomuceno). Foram mantidos os códigos originalmente atribuídos por CORREA, em que as obras foram agrupadas por instrumentação, com o acréscimo do prefixo AN. Assim, os códigos AN1.1 até AN1.28 correspondem às obras para piano solo, AN2.1 a AN2.6 às obras para a mão esquerda (piano solo), etc. As obras não presentes no catálogo impresso foram adicionadas às respectivas seções com o acréscimo dos sufixos a, b, etc.

Em 2014 foi realizado o espetáculo em homenagem aos 150 anos de nascimento do compositor, interpretado pelo ator Mateus Solano, com a participação da Orquestra Petrobras Sinfônica, regida pelo maestro Felipe Prazeres, tendo como solista a soprano Rosana Lamosa. A íntegra desse espetáculo pode ser assistida aqui: https://youtu.be/L5tx25Gyc1o.

Alberto Nepomuceno, a família e a vida musical carioca: os liames de sua obra para piano com sua vida e sua época

Mónica Vermes (UFES/CNPq)

A música para piano é um dos segmentos importantes da obra de Alberto Nepomuceno (1864-1920), pelo volume, pela variedade, pela qualidade, por ser uma produção que se espraia ao longo de sua vida, permitindo-nos acompanhar várias facetas de suas inquietações e referências estéticas e vários estágios de maturidade. Proponho aqui explorar ainda outra dimensão dessa parte de sua obra, que são os vínculos com sua vida familiar, com os lugares e usos da música em seu tempo e chamar a atenção para as atividades musicais das mulheres na Belle Époque carioca. Encontramos em sua obra peças para a mão esquerda, miniaturas, obras de maior fôlego, como a sonata e os ciclos de variações, reduções de excertos destinados aos palcos, peças infantis. Cada um desses grupos conta parte de uma história, de Nepomuceno e da vida musical do Rio de Janeiro que ele viveu. Com a aproximação desse repertório a vários outros tipos de fontes -a historiografia consagrada da música no Brasil e os estudos mais recentes que contextualizam e problematizam essa historiografia, jornais e revistas da época, correspondência pessoal e outros tipos de documentos-, procuramos elucidar as teias que conectam a obra pianística de Nepomuceno a seu mundo e à vida musical carioca da Belle Époque.

RESUMO 3

Em breve.

Mediação

Rosana Lanzelotte é musicista, pesquisadora e Doutora em Informática, idealizou em 2009 o portal Musica Brasilis, que visa o resgate e a difusão dos repertórios brasileiros de todos os tempos. Com cerca de 40.000 acessos e 1.500 partituras de 350 compositores brasileiros, o portal se tornou uma referência. Foi a curadora de 6 edições de exposições interativas Musica Brasilis, com temáticas diversas, em espaços do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Concebeu e dirigiu 8 edições dos Circuitos BNDES Musica Brasilis, em que repertórios brasileiros foram o tema de 130 espetáculos cênico-musicais apresentados em 30 cidades de todas as regiões do país. Atuou como professora pesquisadora na PUC-Rio (1986 a 1997) e UniRio (1997 a 2009), onde liderou pesquisas na área de MIR - Music Information Retrieval. É a autora do livro “Música Secreta”, sobre a trajetória do compositor Sigismund Neukomm no Brasil (Arteensaio, 2009). Por suas realizações, recebeu os prêmios Golfinho de Ouro (2002) e a comenda Chevalier des Arts et des Lettres (2006).

Convidada

Mónica Vermes é musicóloga, bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e professora associada na Universidade Federal do Espírito Santo. Lidera o NELM - Núcleo de Estudos Literários e Musicológicos e participa das atividades do Departamento de Teoria da Arte e Música e dos Programas de Pós-Graduação em Letras e em Comunicação e Territorialidades. É pesquisadora do GIDMUS – Grupo I+D Música y Sociedad (Universidad de la República, Uruguai), do Labelle – Laboratório de Estudos de Literatura e Cultura da Belle Époque (UERJ), do NOMOS – Núcleo de Musicologia Social do Instituto de Artes da Unesp (IA-Unesp), do grupo de pesquisa Estudos de Gênero, Corpo e Música (UFRGS) e do Grupo de Pesquisa História e Música (Unesp). Foi bolsista da Biblioteca Nacional (2016-2017) com o projeto Circuitos Musicais no Rio de Janeiro: teatros (1906-1920). Sua área de pesquisa é a música na Belle Époque carioca em suas múltiplas tramas na cidade. Participa regularmente de congressos e outros encontros acadêmicos no Brasil e no exterior.

Convidado

Aos seis anos de idade, orientado por seu pai, Marcelo Jaffé, inicia o estudo de violino. Em 1977, aos 14 anos, passa a tocar viola, ganhando, no mesmo ano, o 1º Prêmio no Concurso Nacional da Universidade de Brasília.
Após aperfeiçoamento na Universidade de Illinois e no Centro de Música de Tanglewood, nos Estados Unidos, apresenta-se em vários países, participando de destacados conjuntos camerísticos e orquestrais.
Atuou como Maestro da Kamerata Philarmonia e foi Diretor Artístico da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo.
Atualmente, residindo em São Paulo, é professor de viola da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (Departamento de Música), apresentador da Radio Cultura e membro do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo.

III Simpósio de Regência e Interpretação Musical - III SIRIM
Porto Iracema das Artes e Grupo de pesquisa IRIM - UECE/CNPQ

Segunda - 19 de outubro - 20:00 horas

TEMA DA MESA-REDONDA: Alberto Nepomuceno: entre a História e a Ficção

Avelino Romero Pereira

Espera-se que este centenário da morte de Nepomuceno venha agregar às homenagens ao compositor um olhar mais crítico para as representações construídas em torno de seu nome e significados para a música e a cultura brasileiras. Ao longo do século XX houve uma forte tendência a cristalizar uma lenda biográfica sem apoio em evidências históricas ou distorcendo-as em favor de uma heroicização que o compositor nunca precisou. Nepomuceno foi um intelectual de seu tempo, atento às questões do mundo em que viveu e agindo dentro das limitações desse mesmo mundo. Reconhecer sua atuação no campo intelectual e artístico e aprofundar o conhecimento da obra multifacetada que deixou, sem as paixões que moveram a geração posterior à dele, é a grande homenagem que lhe devemos.

Alberto Nepomuceno: entre a história e ficção

João Silverio Trevisan

Ao escolher Alberto Nepomuceno como um dos protagonistas do meu romance ANA EM VENEZA, de 1994, eu via refletido nele o meu próprio exílio. Seu som refletia seu tempo. Na crise do final do século 19, sua obsessão em encontrar o “som brasileiro” oferecia uma moldura perfeita para abordar o esgotamento do final do século 20. Foi um grande desafio trabalhar na ficção um personagem que existiu. Mas, ao espelhar a minha realidade, Alberto Nepomuceno permitiu compreender melhor esse enigma chamado Brasil.

 

Mediação

Inez Martins Gonçalves é graduada em piano pela Universidade Estadual do Ceará, Mestre em Artes pela Universidade de São Paulo, Doutora em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa. É professora efetiva da Universidade Estadual do Ceará desde 2004, líder/membro do grupo de pesquisa IRIM-CNPQ, membro do grupo de pesquisa PatriMusi (UFPA-CNPQ) sobre patrimônio musical no Brasil.  Atualmente é regente do Coral da UECE. Suas áreas de atuação são Regência, Musicologia e Educação Musical com ênfase em temas voltados à prática de orquestra, bandas e coral. Como regente convidada esteve à frente da Orquestra Sinfônica da UECE, Orquestra Eleazar de Carvalho (CE), Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí (SP), Orquestra Sinfônica Jovem de Tatuí (SP), Banda José Siqueira da Universidade Federal da Paraíba (PB) e das bandas e orquestras dos festivais nacionais e internacionais que participou. Em 2014 foi regente assistente do maestro Dario Sotelo na III Semana de Composição para Bandas "Coreto Paulista" em Tatuí, onde regeu em primeira audição mundial, obras escritas para banda sinfônica por jovens compositores. Como pesquisadora, estuda o tema das bandas de música no “longo” século XIX, suas práticas locais conectadas às práticas mundiais. Atua na graduação como docente e orientadora de trabalhos voltados a área da Musicologia e da Educação Musical. Integra a comissão organizadora dos festejos do centenário de falecimento de Alberto Nepomuceno no Ceará para o ano de 2020.

Convidado

Avelino Romero Pereira é carioca nascido em 1965. É professor de História da Música do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) há 21 anos. Foi professor do Colégio Pedro II e da Escola de Música Villa-Lobos e Coordenador-Geral do Ensino Médio do Ministério da Educação. Mestre em História Social do Brasil pela UFRJ e Doutor em História Social pela UFF, com uma tese sobre o tango em Buenos Aires. Realizou Pós-Doutorado junto ao Setor de História da Fundação Casa de Rui Barbosa. 

Integra os grupos de pesquisa “Imprensa e Circulação de Ideias: o papel dos periódicos nos séculos XIX e XX” (sediado na Casa de Rui Barbosa), “Intelectuais, Sociedade e Política” (UERJ) e “Música Urbana” (Unirio). Publicou Música, Sociedade e Política: Alberto Nepomuceno e a República Musical, versão revista de sua dissertação de mestrado, em 2007 pela Editora da UFRJ. Desenvolve pesquisas sobre música e sociedade no Brasil no século XIX e início do XX e sobre o tango na Argentina e tem vários artigos publicados sobre esses temas.

Convidado

João Silvério Trevisan (escritor) exerce atividades profissionais nas mais diferentes áreas artísticas e culturais. Escritor de literatura ficcional, ensaística e infanto-juvenil, tem 13 livros publicados, entre ensaios, romances e contos. Sua publicação mais recente, em 2019, é o romance A idade de ouro do Brasil (Ed. Alfaguara). Em 2018, saiu a 4ª edição atualizada e ampliada de seu estudo já clássico: Devassos no paraíso - a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade (Ed. Objetiva). Sua primeira obra autobiográfica Pai, Pai (Ed. Alfaguara, 2017), foi finalista dos prêmios Jabuti e Oceanos. Realizou trabalhos como roteirista e diretor de cinema, dramaturgo e jornalista. Dirigiu o longa metragem cult Orgia ou o homem que deu cria (1971), que ficou proibido durante mais de 10 anos pela ditadura. Já escreveu para os mais importantes jornais e revistas brasileiras, além de vários órgãos internacionais. É tradutor do espanhol e inglês, tendo vertido para o português obras de Jorge Luis Borges, Guillermo Cabrera Infante e Melanie Klein, entre outros. Desde 1987, vem coordenando concorridas oficinas de criação literária, realizadas em diferentes instituições no Brasil e na internet, pelas quais já passaram mais de uma geração de novos escritores.  Foi contemplado com alguns dos principais prêmios artísticos brasileiros, tendo recebido 3 vezes o Prêmio Jabuti, um dos mais reputados prêmios literários do Brasil, assim como 3 vezes o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA), o último deles com seu mais recente romance: Rei do cheiro (Ed. Record, 2009). Várias de suas peças teatrais foram encenadas em diferentes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, tendo recebido prêmios nos Festivais de Teatro de João Pessoa e Campina Grande. Foi contemplado com bolsas da FUNARTE (Fundação Nacional de Arte), Fundação Vitae (São Paulo) e Prefeitura da Cidade de Munique (Alemanha). Recebeu mais de uma vez o Prêmio Estímulo, da Prefeitura de São Paulo, para desenvolvimento de roteiros cinematográficos. Em 2001, foi escritor-residente na Universidade do Texas, em Austin. Seu conto "Dois corpos que caem" compõe a antologia "Cem Melhores Contos Brasileiros do Século 20". Sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol, italiano, polonês e húngaro. Ativista na área de direitos humanos, fundou em 1978 o “Somos”, primeiro Grupo de Liberação Homossexual do Brasil, e foi um dos editores-fundadores do mensário "Lampião da Esquina", o primeiro jornal voltado para a comunidade LGBT brasileira, ainda na década de 70. Viveu em San Francisco/Berkeley (USA), Cidade do México e Munique (Alemanha). Atualmente reside na cidade de São Paulo. 

III Simpósio de Regência e Interpretação Musical - III SIRIM
Porto Iracema das Artes e Grupo de pesquisa IRIM - UECE/CNPQ

Segunda - 16 de novembro - 20:00 horas

TEMA DA MESA-REDONDA: A modernidade em Nepomuceno

RESUMO 1

Em breve.

Nepomuceno inventou nossa música erudita inteligente e culturalmente importante

Júlio Medaglia (Maestro, compositor, arranjador e membro da Academia Paulista de Letras, onde ocupa a cadeira que pertenceu a Mário de Andrade).


Ir buscar nas aldeias, nas regiões mais distantes ou em outros países danças populares para encher as salas de concertos com sarabandas, gigas, burrês, gavotas, poloneses, pavanas, minuetos, badinerias, correntes, rondós, mazurcas etc, tocadas por instrumentos “nobres” – como faziam os compositores do barroco - é uma coisa. Outra coisa foi o que fez Ravel ao ouvir um tamborzinho tocando dois compassos numa praça de uma cidadezinha da fronteira da Espanha com a França e transformar essa ingênua e motivadora informação sonora numa das maiores obras musicais da história, o seu Bolero.

Outra coisa também fez Mascagni, ao ouvir uma singela melodia nos cafundós de uma aldeia italiana, compor, baseado nela, uma das óperas mais executadas em todo o mundo, a sua Cavaleria Rusticana.
Outra coisa ainda fez Stravinsky, ao sentir a aproximação de momentos trágicos na Europa de 1913 – que redundaram na explosão da 1ª Grande Guerra - ir buscar nas tradições das Rússias lendas demoníacas para compor sua Sagração da Primavera, uma das maiores obras do século XX musical.
Citei esses exemplos para dizer que, colocar dancinhas na sala de concertos tocadas por violinos e oboés, é uma coisa. Outra é saber dialogar, a partir do rico know-how composicional do Ocidente, com polos criativos de uma cultura popular motivadora como fizeram esses três gênios que citei acima.

No Brasil nós temos um compositor que ensinou aos músicos do século XX em diante como deveriam se portar para não cair no ridículo de apenas glamourizar nosso folclore, fazendo apenas “instrumentos nobres” executarem nossos xaxados, baiões ou maracatus em salas de concertos: Alberto Nepomuceno.
Sabedor da riqueza telúrica da região onde nasceu, em vez de dar “status cultural” a teminhas, ritmos ou comportamentos musicais espontâneos, fazendo-os serem ouvidos em salas de concertos, Nepomuceno foi aos maiores centros da cultura do Ocidente adquirir as ferramentas para transformar a rica matéria-prima sonora de seu país numa realidade universal. Não quis fazer gracinhas bem embaladas com nosso folclore para fins pseudo-culturais e sim ensinou nossos autores a dialogar, de igual para igual, com os verdadeiros elementos criativos e culturalmente importantes de nossa cultura espontânea para transformá-los num valor universal. Foi o que ele fez e que o fizeram a maioria de nossos compositores mais talentosos posteriores a ele.
Por essa razão Nepomuceno é considerado unanimemente como o verdadeiro “pai da música nacional”.

Mediação

Profa. Anna Maria Kieffer (pesquisadora e cantora) dedica-se à pesquisa e à divulgação da música antiga, da memória musical do Brasil e da música vocal contemporânea, tendo participado como cantora, curadora e criadora de festivais no Brasil, Américas e Europa. É autora de trilhas sonoras para cinema, exposições e espaços museológicos, bem como de roteiros para obras interdisciplinares de sua concepção. Exerce atividade docente e tem seus textos publicados em revistas e livros especializados.  Está associada ao Studio de Recherches et de Sructurations Électroniques - Auditives, em Bruxelas, e é membro da EMF – Electronic Music Foundation, em Albany, Nova York. Tem 25 CDs, CDs-livros e DVDs gravados no Brasil e exterior.

Convidado

Luiz Guilherme Duro Goldberg possui graduação em Canto e Instrumentos - Bacharelado em Piano pela Universidade Federal de Pelotas (1986), mestrado em Música, com ênfase em Práticas Interpretativas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), onde também concluiu seu doutorado em Música - Musicologia (2007). A tese aí desenvolvida (Um Garatuja entre Wotan e o Fauno: Alberto Nepomuceno e o modernismo musical no Brasil) foi distinguida com menção honrosa no Prêmio Capes de Teses 2008. Possui pós-doutorado na linha de Musicologia Histórica junto ao CESEM, FCSH, na Universidade de Lisboa, onde desenvolveu a pesquisa À procura de Artèmis, que trata do psicodrama lírico Artémis, de Alberto Nepomuceno. Atualmente é professor associado no Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas.

Convidado

Natural de São Paulo, maestro Júlio Medaglia diplomou-se em regência sinfônica na Alemanha, na Meister-klasse da Escola Superior de Música da Universidade de Freiburg. Fez curso de alta interpretação sinfônica com Sir John Barbirolli, de quem foi assistente. Viveu na Alemanha por mais de 10 anos, atuando também na rádio e na TV, regendo algumas das mais importantes orquestras, inclusive na Filarmonia de Berlim. 

Além de sua atividade como maestro no Brasil e no exterior, compôs mais de uma centena de trilhas sonoras para teatro, cinema e televisão. Uma seleção de músicas de suas trilhas foi gravada pelo conjunto de sopros da Filarmônica de Berlim (BIS 952).Tem também arranjos gravados pelos 12 cellos dessa Filarmônica (EMI). Em sua passagem pela música popular, foi um dos fundadores do Tropicalismo. É o autor do arranjo original da música Tropicália de Caetano que deu origem àquele movimento. É autor do Hino da Universidade de S. Paulo com o poeta Paulo Bomfim. Ocupou os cargos de diretor do Instituto Estadual de Comunicação do Rio, diretor da Rádio Roquette Pinto do Rio; Supervisor Musical Artístico da Rede Globo; Diretor Artístico do Teatro Municipal de São Paulo e regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal; diretor artístico de Teatro Municipal do Rio de Janeiro; diretor do Festival de Inverno de Campos do Jordão; diretor da Universidade Livre de Música; diretor artístico do Centro Cultural São Paulo; regente da Sinfônica de Teatro Nacional de Brasília. 

Para o Teatro Amazonas criou a Amazonas Filarmônica com músicos de vários países do mundo. Nesse teatro acontece o maior festival de ópera do país. Por ocasião das homenagens a Carlos Gomes pela passagem dos 100 anos de seu falecimento, regeu e gravou em vídeo e CD com os 200 artistas da Ópera Nacional da Bulgária a ópera O Guarany, evento esse transmitido por vários países europeus pela Eurovisão. Apresenta há 30 anos programa diário na Rádio Cultura FM de S. Paulo. Produz e rege a orquestra da TV Cultura de São Paulo no programa Prelúdio, transmitido em cadeia nacional há 10 anos. Esse programa acaba de receber o prêmio de “melhor projeto cultural da TV brasileira” pela A.P.C.A. Membro da Academia Nacional de Música. Recebeu do Ministério da Cultura a “Grã Cruz” da Ordem do Mérito Cultural. Recebeu semelhante honraria da presidência da Hungria por suas interpretações de obras de autores daquele país. Por seus 5 livros e mais de 500 artigos, foi eleito para a Academia Paulista de Letras para a cadeira de nº 3 que pertenceu a Mário de Andrade.

 

III Simpósio de Regência e Interpretação Musical - III SIRIM
Porto Iracema das Artes e Grupo de pesquisa IRIM - UECE/CNPQ

Segunda -14 de dezembro - 20:00 horas

TEMA DA MESA-REDONDA: Aspectos da tradição em Nepomuceno e a cantoria nordestina

Cantoria Nordestina

Cantor Guilherme de Almeida Nobre

 

A Cantoria Nordestina, ou Repente, é uma forma de expressão da palavra-cantada construída na performance, através da articulação comunicativa entre seus integrantes — cantadores, apologistas e demais ouvintes. Trata-se de uma prática informal, com normas próprias, aprendidas por imitação. Integra uma variedade de gêneros ou modalidades de organização das estrofes em versos de cinco, sete, dez e onze sílabas poéticas, com rimas e ritmo poético próprios. Dentre as principais estruturas estróficas, destacam-se as sextilhas– o gênero mais popular, com versos de sete sílabas – e as diferentes modalidades decassilábicas, a exemplo do martelo e outras mais. Cada gênero ou modalidade de Repente comporta uma toada, que não é fixa — a exceção de algumas poucas modalidades. A toada tem a função de elemento unificador de cada repente: ela destaca a poesia. A viola “nordestina”, atualmente o instrumento musical preferido dos cantadores, tem apenas um papel rudimentar no acompanhamento das toadas. Funciona mais como “companhia” do que, propriamente um instrumento com acompanhamento específico. A Cantoria Nordestina como modelo de arte de tradição oral, ainda muito presente na cultura nordestina, é um dos  “fios condutores” para se estabelecer o paralelo entre seus elementos constitutivos — matrizes das toadas, ritmo poético no uso da palavra cantada — e a bagagem de memória de Alberto Nepomuceno da qual fez uso em sua obra, principalmente as canções.

Elba Braga Ramalho

Alberto Nepomuceno deixou alguns registros das raízes culturais que povoaram sua infância e juventude: a missiva ao Barão de Studart, em 1903, tecendo explicações sobre sua concepção musical para a composição do Hino do Ceará; a entrevista publicada no periódico A Época Theatral (1917), salientando a presença de constâncias melódicas e harmônicas em cerca de 80 canções por ele coletadas e comentadas; o projeto da ópera inédita Porangaba (1887-1888), no qual elege a música de tradição oral dos sertanejos e homens do mar nordestinos como alguns dos componentes musicais a serem por ele elaborados. A “palavra cantada” em Nepomuceno é a vertente que pretendo privilegiar. Elegi o poeta Juvenal Galeno como seu parceiro. Chamei as vozes de cantadores e vaqueiros para tecer um diálogo com o canto em língua portuguesa de Nepomuceno.

Mediação

Gilmar de Carvalho é jornalista. Graduado em Comunicação Social pela UFC (1972). Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (1991). Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo (1998). Foi professor da UFC, de 1984 a 2010. Integrou os programas de Pós-Graduação da Sociologia, da História e da Comunicação Social da UFC, tendo orientado dissertações. Prêmio Sílvio Romero, em 1998, com sua tese de doutorado, publicada com o título de "Madeira Matriz" (SP, Annablume, 1999). Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN, em 2014, em parceria com Francisco Sousa, com a pesquisa "Rabecas da Tradição". Medalha Mário de Andrade, pelos 80 anos do IPHAN, em 2017.  Autor de mais de 50 livros. Tem artigos em revistas acadêmicas publicadas no Brasil e no exterior. Seu interesse é na pesquisa e atuação na área das relações da Comunicação com as culturas.

Convidados

Geraldo Amancio

 

De cantar eu tinha planos

E entrei nesse teatro

No ano 64 tinha dezessete anos.

Deixei meus pais, deixei manos,

Deixei tudo o que é parente.

Estou somando atualmente,

Depois dessa despedida,

Setenta anos de vida cinquenta e dois de repente.

 

Deixei minha parentela

Quando fui me despedir

Senti meu pranto cair

Hora triste, foi aquela.

Pai choroso na janela,

Mãe chorando no batente

Ainda hoje eu vivo ausente

Daquela casa querida.

Setenta anos de vida

Cinquenta e dois de repente.

 

Meu pai Antonio Pereira,

A minha mãe foi Ecy,

Nascidos no Cariri

Em Lavras da Mangabeira.

Maria preta a parteira

Que se chamava (assistente),

Me pegou ficou contente,

Profetizou em seguida:

Setenta anos de vida

Cinquenta e dois de repente.

 

Ceará é meu Estado,

Afirmo desde o princípio,

Cedro é o meu município,

Lugar em que fui criado.

O meu rio é o salgado, que se chover bota enchente.

Eu ainda adolescente

Dessa terra fiz partida.

Setenta anos de vida

Cinquenta e dois de repente.

Guilherme de Almeida Nobre é poeta, repentista, compositor, cordelista e palestrante. Iniciou sua carreira aos 14 anos de idade, e tem feito parceria com os principais nomes da Cantoria Nordestina, como Geraldo Amancio, Moacir Laurentino, Antonio Jocélio e muitos outros. Participou de alguns eventos de Arte, Literatura e Cultura do país, entre eles “II e III Feira do Cordel Brasileiro”, “Encontro Mestres do Mundo”, “XII Bienal do Livro do Estado do Ceará”, “25ª Bienal internacional do Livro de São Paulo". Representou o Brasil em dois encontros mundiais de poetas improvisadores, no norte de Portugal. Fez parte de documentários e pesquisas sobre a história e o resgate do Repente Nordestino, além de levar a Cantoria de Viola para programas de TV e de Rádio. Ministrou palestras sobre Cantoria na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. Conduziu oficinas de formação de professores para o uso do cordel em sala de aula. É autor de mais de 10 obras em cordel, gravou 4 CDs e 3 DVDs. Foi o vencedor do “III Festival Alunos que Inspiram” da Rede Estadual de Ensino do Estado do Ceará, na categoria cordel. Além de profissional da cultura popular, é graduando em letras pela UECE.

Convidada

Elba Braga Ramalho é graduada em Canto Orfeônico pelo Conservatório Nacional de Canto Orfêonico, Bacharel em Piano pela Universidade Estadual do Ceará, Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, PhD em Musicologia pela Universidade de Liverpool. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal de Santa Catarina. É professora Titular aposentada da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Em sua atividade profissional, dedicou-se ao ensino de Teoria e Filosofia da Música. Como pesquisadora, lida com música de tradição oral, especialmente a Cantoria Nordestina e a obra de Luiz Gonzaga, publicando dois livros sobre os temas. É componente da Comissão Organizadora das celebrações do Centenário de falecimento de Alberto Nepomuceno no Ceará para 2020.

 
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